As religiões de matriz africana são uma síntese de diferentes culturas, concepções e religiosidades de povos africanos que chegaram ao Brasil na condição de escravos. As experiências desses povos em um novo território mesclaram culturas, modos de vida, costumes, estéticas, conhecimentos, artes e linguagens, estabelecendo, assim, um conjunto de concepções que passaram a orientar os(as) africanos(as) e seus descendentes.
Diante dos constantes ataques às religiões e culturas afro-brasileiras, essas instituições construíram estratégias, buscaram outros instrumentos, atuaram em redes locais, regionais, nacional e internacional em sua defesa do seu legado. Recorreram às instâncias de poder para fazer valer os seus direitos, compreendidos aqui como o de liberdade para o exercício religioso, o de ir e vir, o reconhecimento e proteção patrimonial material e imaterial, o direito à terra, o direito a usufruir da natureza de modo sustentável, bem como o reconhecimento social e político das lideranças religiosas.
Essa verdadeira saga de defesa do direito à existência das religiões de matriz africana está traduzida nos diferentes artigos de autoras e autores que narram essas lutas no segundo volume do livro Direitos dos Povos de Terreiro, organizado por Andréa Letícia Carvalho Guimarães, Bruno Barbosa Heim, Thiago de Azevedo Pinheiro Hoshino e Winnie Bueno. O livro trata do impacto do racismo religioso sobre as instituições e lideranças das religiões de matriz africana, bem como de diferentes análises sobre os processos estratégicos, organizativos e de outros arranjos em defesa das religiões de matriz africana.